Bem... Estou vindo aqui pra dizer que me mudei! Sim, agora o "apê" é três vez maior e o número? 302. Coincidentemente, o número seguinte do que eu morei. Vou contar porque eu saí de lá. Infelizmente não foi nada tão incrivelmente planejado, romântico ou por um bom motivo como eu esperava. Mas às vezes o que precisamos é de um empurrão e não de um afago ao ego ou no coração, não é? Senão, a gente se acolhe, se encolhe e não movimenta. Pois bem... Eu tive que sair e acreditem, apesar de bizarro, não vou incrementar nada, nem fantasiar pra melhorar o relato (ou piorar), é sério o que vou contar.
segunda-feira, 15 de maio de 2023
Mudanças de casas e poucos lares
Bem... Estou vindo aqui pra dizer que me mudei! Sim, agora o "apê" é três vez maior e o número? 302. Coincidentemente, o número seguinte do que eu morei. Vou contar porque eu saí de lá. Infelizmente não foi nada tão incrivelmente planejado, romântico ou por um bom motivo como eu esperava. Mas às vezes o que precisamos é de um empurrão e não de um afago ao ego ou no coração, não é? Senão, a gente se acolhe, se encolhe e não movimenta. Pois bem... Eu tive que sair e acreditem, apesar de bizarro, não vou incrementar nada, nem fantasiar pra melhorar o relato (ou piorar), é sério o que vou contar.
quarta-feira, 5 de abril de 2023
Revoltada
Na minha cabeça vem muita uma expressão "Estou cansada". A um tempo atrás era fisicamente e mentalmente; agora parece que é mentalmente ainda... Mas já se passaram meses. Já desacelerei tanto! Já fiz tantas coisas pela primeira vez, já li tantos livros, aprendi novos jogos, assisti outras séries, passei a caminhar com frequência, sai de um ambiente caótico que tanto me fazia mal... Por que ainda o cansaço permanece? O desânimo, a incerteza, a ansiedade, o pessimismo...? Desde quando eu fiquei tanto assim? Até quando eu vou ficar assim?
Parece que estou fazendo várias coisas porque é o jeito. Mas vontade? As minhas vontades estão em subterfúgios. Totalmente pra isso. Estou correndo das minhas profundidades, porque tem coisas que me chegam que parece que vai ser a gota pra eu desmoronar durante uns dias. Eu quero chorar! E quando eu choro, parece que nada me diz de fato (a não ser eu mesma) que eu posso chorar.
As coisas passam por cima me atropelando, o mundo diz: não dar tempo chorar e se retrair por tanto tempo assim! Bora! Novamente... Produção!
Eu queria ficar quieta. Onde a gente tem que viver com movimento. Eu queria algo também que ainda não sei o que é. Porque nada me preenche por tanto tempo. Eu já vivi perrengue, eu já me irritei bastante, já chorei por dívidas, já fiz muitos planos e eu tenho a impressão, quando eu me comparo a uma das minhas versões, que eu era mais leve. Como eu fui perdendo isso? Fiz uma viagem pra outro país e quando eu fui, estava caótica. Quando cheguei lá, eu tentei absorver só o que havia de bom, foi um grande presente de Deus. Quando eu voltei, algo havia mudado em mim. Estava bem humorada, estava animada pra começar algo novo finalmente, estava contente por ter saído de um lugar que tanto me fazia mal, até que, bem no fim do ano pra o início desse... A minha energia voltou a cair. "Trolei" com encontros, vinhos, livros e me ocupar com outras coisas. Mas vem de novo. Teve dias, de despencar. Vários dias. Hoje foi um deles.
"Aquilo" voltou. A "coisa" ruim. Porque as vozes ruins estão sendo maiores que as boas do meu peito? Cadê o enxergar o lado bom das coisas? Por que estou tendo que me esforçar pra ver coisas boas, aprendizados... ? Meu Deus. Eu repito pra mim: Estou de saco cheio. Não somente estou triste como estou se saco cheio! Estou irritada porque eu tenho que lidar com coisas que eu me deixei levar. Esqueci até os motivos que me levaram a "deixar levar". Hoje eu pensei o quanto eu fui passiva. E na verdade, lembrei de quantas vezes eu só fiz algo a contragosto, fiz porque tinha que fazer. Não era tão passiva assim. E isso me irritava e me irrita ainda quando eu penso que alguém conseguiu me "sequelar". Agora já era... Resiliência? No meu mapa falou algo sobre eu ter uma tendência a isso. Saber usar isso. Mas olhando mais precisamente, ninguém volta a ser algo exatamente como era antes. Todos os encontros e pessoas que convivemos nos afeta. A minha cabeça está tão ruim, que eu não consigo ver as coisas boas que fiz de fato e que aconteceram, pelo menos não muito. Deus deve está olhando pra mim e pensando agora: ingrata.
Estou muito afetada. Meu lado canceriano queria se afundar e ficar na concha meses até sentir falta de algo ou alguém aponto disso gritar no peito de desejo e voltar a superfície, a praia, correndo. "Cheguei; cansei de ficar lá no fundo... Saudades!" Porém a verdade é que estou de saco cheio de muita gente. De muitas coisas. Como fui ficando amarga assim, meu Deus? Minha vontade agora está entre poucos e pouquíssimas coisas. Sinto que estou um tanto me afastando e me isolando. Me acostumei com o isolamento da pandemia?
Eu gosto mais de mim com meus vinte e tantos, porque eu potencializei e descobri muitas coisas boas em mim. Eu nem questiono a pessoa que sou quanto a ter em mim um servir, o caráter, a sede por verdade, justiça, o ser atenciosa, etc... Mas profissionalmente eu estou abalada mais uma vez e nessas coisas de responsabilidades de adulto, da frase que ressoa em minha cabeça: "Ah você tem que dar conta, sim! Você já está com tal idade, deveria ter isso... Conquistar isso... Pensar nisso... " Eu não sabia que seria tanta coisa!
Hoje me veio algo muito gentil comigo (depois de palestras, podcast, depois de chorar, depois de banhos, de me isolar, de falar com Deus mesmo sem ouvi-lo): Lembra quando você falou pra uma amiga que você diria a sua versão de quando mais jovem pra aproveitar mais? Se cobrar menos? De parar de levar tanta coisa muito a sério? De parar de querer parecer pra os outros que é madura o suficiente pra não fazer isso ou aquilo, de se comportar de tal jeito? Lembra? Será que daqui a uns anos, você não poderia ter o mesmo pensamento e sentimento de você agora? Será que você não está cobrando algo demais pra essa jovem que ainda é você? E por que tudo de uma vez? Por que você acha que está demorando e está se comparando tanto? Você realmente sabe aquilo que outras pessoas passam pra as vezes achar que a grama tá mais verde em qualquer outro lugar? Por que você tem que ouvir tanto e mais as pessoas que tem esse comportamento gigante de cobrar? Desde quando são elas que estão totalmente certas?
Bem... Eu nunca fui uma pessoa invejosa. Tenho meus lapsos de: "Queria também. Poxa..." A questão também é que minha profissão não está me ajudando. Em que sentindo? Meu trabalho e onde trabalhei já fui muito surrada, além de os clientes não valorizarem tanto assim financeiramente. Além disso, eu vejo coisas de alto padrão, vendo coisas de muitos mils e quando olho pra minha conta ou realidade penso: Cadê? Gostaria de viver isso também em relação a minha vida pessoal. Eu ainda não consegui fazer a "mágica" acontecer. O meu lado trabalhadora está frustrada. E a quem diga: "Mas você está no Brasil. É a realidade de muitos..." Mas eu sei que também não é a realidade de outros tantos, é nessa outra realidade que eu quero estar. E está bem difícil.
É isso... Eu tenho asc em aquário e Saturno na minha casa 11. E uma astróloga perguntou o quanto influenciou, eu fui até olhar as influências no meu mapa. E sim, bateu. Muito trabalho, muita irritabilidade, autocrítica, descordar dos outros, mudanças no visual, pressão alta, amizade ruim, gente falsa, cobranças e revoltas. O combo veio completo. E mercúrio Retrógrado trouxe sim, assuntos que eu não queria enfrentar. Mas sou adulta, né? 30min chorando pra passar dias resolvendo aquilo que não queria nem mais ver. Quanto mais, discutir.
Foi isso. É isso. Está punk. Mais uma vez. Vou deixar aqui pra ter uma esperança de voltar, não daqui a uns anos, mais em breve e dizer: viu? Estava pegando pesado com você. Deu tudo certo. Você conseguiu sair dessa e parece que aquilo ali agora é tão distante, né? Nem dói mais. Nem te incomoda, nem coça? Foi muita coisa mesmo. Mas passou, viu só?
Que assim seja.
sábado, 11 de fevereiro de 2023
Fim de tarde
Fim de tarde de uma sábado e eu ainda estou de pijama. Já tomei banho, comi, mas coloquei o pijama novamente. Não que eu queira dormir, eu quero a sonolência do estar tranquila.
Deitada, um livro na mão, um lápis que eu sempre perco em meio a cama desarrumada e a janela aberta. Parei de ler. Nessas horas eu gosto de olhar pra janela e ver as cores do céu mudando em poucos minutos; se misturando entre amarelo, laranja, azul, rosa, lilás, branco e as nuances de cada um. São poucos minutos pra não se ver mais o mesmo. Eu acho muito bonito quando vejo um avião passando e cortando as nuvens com elas iluminadas fazendo um caminho. Nesse momento o avião parece um foguete nos conduzindo pra um lugar com direção, mas sem sabermos o destino.É algo infantil, talvez, mas eu fico pensando enquanto estamos aqui nessa vidinha parada no fim de tarde, tem tantos indo além, pra outro lugar. Fazer o que? Às vezes eu queria estar no avião de rastro iluminado pra viajar e encontrar outra realidade, mas por vezes também, eu só queria está como agora. Observando calmamente tudo e pensando como tem muitas coisas muito além de mim; como tudo ao redor vai indo, vai longe, segue.
Tem gente que vê fim de tarde e dar uma certa tristeza. Achei estranho pensar assim. Eu vejo fim de tarde e me parece que Deus está calmo... Enquanto estamos caóticos no trânsito, resolvendo coisas, querendo ir pra casa, concluir algo antes que o expediente acabe, contando a hora pra buscar alguém, pensando no que fazer e comprar pra o jantar; o céu vai calmante brincando com os reflexos do sol. As nuvens vão se espalhando e dando visão as estrelas.
O pôr do sol, o olhar pra o céu me pede reverência porque eu não controlo as horas, nem quase nada a meu redor... E tudo passa. Mais um dia que vai acabando... Pede pra desacelerar. Diferente de quando o sol nasce e o que penso é: "O que temos pra hoje?" Então me apresento ao mundo e minhas diversas funções. A noite me pede pra ser apenas eu mesma. Porque teoricamente, ninguém vai me aperrear por horários. Estou livre. É por isso que eu gosto da noite. Agora eu entendi mais. A noite me permite mais, olhar pra mim e olhar pra dentro.
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
Malas cheias e coração grato
Estou voltando a escrever no voo de volta. Volto com as malas cheias, celular lotado de vídeos e fotos e um coração cheinho de gratidão, memórias de coisas lindas a ponto de eu conseguir ficar sem palavras. Há tanto pra dizer e ao mesmo tempo estou ainda no viver intensamente tudo. "Aproveite!" Foi o que mais ouvi e mais fiz.
Foi surpreendentemente bom e ao mesmo tempo quando foi pra vir, diante de uma possível dificuldade que surgiu pra atrapalhar isso, me deixou apreensiva. Voltar é muito bom. Eu sentia - pelos dias passados - que já estava bom de voltar. Que era hora de frear um pouco e descansar de tanto estímulo! "Processar tudo." Foi um prazer estar cansada porque fisicamente eu estava subindo ladeiras, escadas, explorando lugares novos. Foi muito bom conhecer lugares que só via por fotos; animais que eu nem sabia que existiam; histórias, objetos, paisagens, pessoas, particularidade de "outra" língua, gírias, jeitos, comidas, bebidas e climas tão diferentes... Foram muitas primeiras vezes. Foi muita generosidade de Deus e da minha família pra que isso tudo acontecesse e sou extremamente grata. A graça de Deus foi derramada... Muito!
No final, ao me despedir, chorei tão sentida... E fiquei pensando porque que estou chorando tanto? Foi ótimo! Agora é hora de voltar pra casa! Deu tudo certo! Eu tive vontade de chorar antes de vir, mas porque estava muito tensa. Teve algumas coisas meio atravessadas antes, como dificuldade na documentação da cachorrinha (foi terrível), fiquei tensa diante de muitos desafios em coisas completamente desconhecidas pra mim. Mas pra voltar estou chorando tão mais!
É que na verdade estou cheia de saudade... Vi meu irmão ficar em uma terra e vida nova pra ele, sabendo que é muito desafiador! Eu fui passar férias, isso é bem diferente! Pesou a coisa família, sabe? Foi isso que vi também. Tudo que falei que conheci foi extremamente bom, mas eu só consegui por causa da minha família. Eu fui porque eu precisava deixar uma cachorrinha que faz parte da família pra que eles ficassem mais completos. O fato de eu ir, fez com que eu levasse um tanto e trouxe um tanto do que representa e é família. Você faz pelos seus. Mesmo com diferenças de jeitos, de crenças e de tantas contextos, o amor faz você enfrentar tantas coisa! Querer prover tanta coisa; se comportar de tantos jeitos. No fim, a gente se une e torce um pelo outro, se alegra, se entristece, se revolta, defende, tenta fazer o melhor por aquela criatura trabalhosa (muitas vezes) mas, que você ama.
Deus... A quanto tempo eu queria "ir pra um hotel, não era? Dormir em uma cama macia e lençóis branquinhos, com um ar condicionado proporcionando um friozinho gostoso... Poder acordar e ter um café da a manhã bem recheado." E isso foi só uma das coisas boas que me aconteceram! Foi uma riqueza de detalhes arquitetônicos, de formas, de pinturas, de esculturas, desenhos, de natureza...
Eu fica vendo e pensando: Pra glória de Deus. Deus é tão perfeito em criar tudo isso... Em criar pessoas com dons, conhecimento e disposição pra um tudo disso. A criatividade humana reflete o quão grandioso podemos representar e criar coisas de tirar o fôlego. Unido ao que Deus criou... São muitas coisas lindas!
Quando eu cheguei em Lisboa, meu encantamento foi nas ruas... No centro histórico pra onde se olhava era "fotografável"; cada contorno e detalhes muito únicos; a diversidade de pessoas faz com que você se sinta parte do mundo, de um todo.
Eu gostei de sentir o sol e não sentir quente, eu gostei de poder ter a liberdade e segurança de andar registrando o que eu quisesse com meu celular; gostei da comida, gostei dos lugares. Ah! Fui também lá pra casa de um tio me havia me conhecido quando muito pequena, com uns dois anos de idade e eu só o "conhecia" por fotos. Pouco interagi infelizmente, porque meu corpo pedia muito pra eu descansar um pouco. Mas meu irmão fez a vez passaram a tarde conversando. Mais uma vez, família! Como é bom encontrar "os seus". Parece que você se encontra no mundo. "És meu semelhante." O nosso tio ficou tão contente, fomos tão bem recebidos lá! Era aniversário do neto dele então conseguiu reunir mais pessoas. Conseguiu falar sobre algo que acho que estava pendente pra ele: "Porque não voltei ao Brasil..." Precisávamos ouvir dele. Sem supor. Acho que foi bom pra todo mundo. Irmos lá e registrar isso, mandar fotos pra os outros da família, despertou a alegria de alguns. "Vocês estão nos representando." Foi muito potente e bom isso, e esse nesse encontro pude conhecer mais um lugar também. Torres Novas; cidade lindinha, e que despertou querer conhecer mais um dia.
Enfim. Há muito para ser dito, lembrado... Mas dessa vez vou dormir um tanto. Ah! Tenho algumas notas a mais: Estou voltando com minha própria janela ao lado! Poltronas sem ninguém... Muito confortável! Inclinei as poltronas. (Risos) Sim, já acalmei meu coração. Estou voltando plena pra casa.
[Ainda farei a continuação. Sono.]
sábado, 27 de agosto de 2022
Uma crônica astrológica - Meu primeiro voo!
[Pensamentos aleatórios: "Quando foi que fez algo pela primeira vez?" "Eu queria que alguma coisa movimentasse diferente a minha vida... Faz tempo que não existe algo que me deixa muito feliz e animada." "Universo me surpreenda positivamente!" "Vai ser incrível".]
[Texto escrito no avião.]
Um meio do céu em sagitário do ladinho de escorpião... E eis que meu primeiro voo é uma missão onde um sagitariano e uma escorpiana me convocou para essa responsabilidade e aventura. A missão? Levar uma filha dog virginiana para minha linha vênus que é em virgem! Quando pertinho da viagem surgiu alguns desafios... Tive que colocar a emoção no bolso. Sol entrou em virgem! Vamos ser práticas! Fui comemorando cada pequena vitória com o coração na mão. Deu tudo certo. Deus bom. Tanta gente pra falar e coisas pra resolver que não parei pra me ouvir. Ansiosa? Sim! Com medo? Não. Mas tensa. Só querendo me aquietar...
Finalmente já no avião. Andando... Voando! E o avião levantou voo numa narrativa emocionante de uma criança! "Direita, esquerda, voandoo, uauuuuu!" Haha foi legal pirralho, me senti uma criança num parque diversão! Subindoooo e planando. Que delícia! A névoa embaçando e o escuro da noite não tirou a beleza de poder se emocionar e ver as luzes da cidade pela janela. Nos ouvidos, logo depois, a playlist "journey" que a astróloga maravilhosa (Isa) fez.
A aeromoça falou que a cachorra que eu estava levando tinha que ir na malinha, mas a garota, não quis. Fiz a vontade da cachorra assim que a aeromoça se afastou. No escuro do avião ela pareceu entender o combinado, ficou quietíssima como uma bolsa no meu colo. Fui legal, afinal, era a primeira vez dela e a minha também.
Cheiro de comida! A minha companheirinha de voo pirou; eu não quis porque já estava com fome muito antes e jantei no aeroporto; mas o vinho... Ah! Eu quis entre malabarismo com uma cachorra faminta no colo e um desafio também que era não sujar minha blusa branca! Céus! Deu certo de novo. Bom. Tudo sob controle. Eu deveria dormir, mas veio a vontade de ir ao banheiro... Então pensei: "Vou levar ela, vai que queira também". No fim das contas, não quis; mas me acompanhou em um cúbico e me fez imaginar que ser mãe solteira deve ser péssimo.
Eu não sabia abrir a porta! Haha era tipo camarão! Deixa eu explicar: Abre empurrando e não puxando; o gringo gesticulou pra eu empurrar. Vou aproveitar e falar uma percepção minha: Eu encontrei pessoas gentis. Eu não sei se foi por minha cara de "perdida"; se o que sensibilizou as pessoas foi eu estar com uma cachorrinha fofa; ou se as duas coisas.
A cena de quem me via era: Eu estava me esforçando pra segurar uma bolsa na transversal (que não deu pra ser mochila); uma bolsa pra cachorra e ela na guia longa. Depois ela dentro da bolsa e eu cheia de coisas pra prestar atenção. Fora a mala gigante durante um tempo.
Tive uma estratégia: Não bancar a desenrolada. Primeira pessoa no aeroporto cheguei e falei: "Perguntando como bem leiga mesmo, tá?..." E ele me deu todas as coordenas. Teve gente me parando pra falar com a cachorrinha, gente me dizendo "Ei, já pode ir lá!"; gente falando que era um grande amor e delicadeza levar a cachorrinha (um idoso) e me acenou no corredor; um ajudando a apanhar meu celular que escorregou no avião porque a ela não parava; outro segurando a bolsa dela enquanto eu fui pegar um tapete pra ir ao banheiro junto com ela; outro pegando meu copo pra eu me locomover melhor; gente me ensinando a abrir a porta hahaha... É muito bom também ir com quem sou hoje! Pra discernir e curti cada perrengue e delicadeza do que há de bom. Eu já passei por tanta coisa complicada que essas estão sendo até divertidas e o foco é: Quando eu entregar a cachorrinha aos pais; encerra a missão e começa o bônus da diversão! Vou poder ficar mais leve... Mas desde já; está sendo um presentão, Deus!
terça-feira, 5 de abril de 2022
Cobrança
É uma tristeza sem motivo óbvio aparente. Certamente são acúmulos. Mas há tanta coisa pra agradecer também, sabe? Eu deveria estar triste? Tenho esse direito? Continua me atravessando e eu querendo negar. Que luto eu tenho que viver?
Eu só queria parar de lutar um tanto
sabe? Porque estou “cansada” e isso tem se repetido muito em meus discursos
internos e externos, devo parar com isso. Receio atrair coisas ruins, receio
ser eu quem está causando muito disso tudo, pelas minhas “energias baixas”; está
meio difícil combater, me pego vez ou outra abatida (nem que seja
internamente). Eu às vezes sei o que quero, mas não como fazer. Parece que eu
não tenho o direito de me “rebelar” porque não vai adiantar mesmo, parece que
fazer errado é o certo, parece que meu “certo” nem está tão bom assim, parece
que eu me perdi do olhar facil com contentamento pras coisas. Por que o “fluir” não está dando, como pode? Que fluxo é esse? É um caos quando eu tento me adaptar tão rigorosamente.
Eu perdi duas pessoas na minha família nesse periodo de pandemia, uma bem recente; não por covid, mas porque o coração parou. E a vida delas já estava um tanto parada, vivendo sem motivo, então suspiraram e descansaram. Deixaram de existir.
Eu tenho tanta sede por viver que o cotidiano do jeito que está não me parece bom. Mas ora, vivemos de coisas"corriqueiras", de ordinários, de desafios constantes e sim, eu estou querendo um "oba, oba". Indignada por muitas coisas e minha falta de "oba, oba". Eu senti falta de coisas que já vivi... De coisas que ainda não vivi também. E das que eu vivi lembro de querer tanto coisas que tenho hoje.
Tenho receio de não viver uma vida bem vivida, sabe? E estou enfadando a visão da minha. É minha geração... Claro que é reflexo, não tem como. Não estou falando da minha idade em si, mas do meio em que estou, e a o invés de focar nas coisas que vem do alto, eu fico querendo um pouco do muito que me é mostrado, que aparentam viver, ter.
A idade que conta é a que estou chegando e me cobrando pelos meus: "O que fazer antes dos trinta?" As cobranças sociais que eu não cumpri estão batendo na porta. É isso. Por que eu tenho que viver (querer) como se houvesse pouco tempo? É uma pressa de desejos... Isso não é bom.
Falta o equilibrio, e eu vou encontrar.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Oi, sou eu de novo.
Chega de clichê que eu demoro a vir escrever, afinal, quem me ler? Não devo justificativa nem a mim, e que bom. Hoje vim desabafar pra ver se algo vem a tona. Algo ilumina. Eu vou confessar uma coisa, eu não sei desde quando exatamente, mas, não é sono, não é fome... Mas luto com uma tristeza. Acho que posso nomeá-la assim. Aparentemente ela não existe, eu tenho um veslumbre e corro, me passo, finjo que não estou vendo, mas ela senta do meu lado e me abraça, susurra aos meus pensamentos e fica um tempo.
Eu perco a vontade, eu fico sem saber o que quero, fico com preguiça de comentar, eu não quero que perguntem muito sobre minha vida, nem sobre mim. Não quero mentir, nem falar a verdade, nem dizer que não sei. Na verdade estou me sentindo meio perdida, desanimada no geral. Fico justificando que eu não tenho motivo suficiente pra isso. Mas estou assim e não estou de TPM.
A vida está séria e eu me observo e me pego, mais cansada de falar.



