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quinta-feira, 28 de março de 2024

Anseios e comparações


[Ando meio reflexiva com alguma coisas... Talvez aqui eu consiga externar e organizar.]

Em meio a conversas com amigas, familiares, clientes, pessoas com quem trabalho e em tempos de disseminação gigante das redes sociais, fui tomada pelo questionamento dos anseios e influencias. Pensamentos sobre a cobiça, inveja, desejo, sonho, comparações, frustrações, questionamento sobre o que realmente queremos, ingratidão e até recalque. Quanta coisa, né? 

É muito fácil hoje termos acesso (em partes) a várias realidades. A grama verde do vizinho nunca esteve tão visível e acessível para olharmos. Na minha área de atuação então... O que tem de pessoas novas com apartamentos e casas repletas de coisas de alto padrão, coisas que só "ricos" ou pessoas com "mais idade" e financeiramente estável teriam... A casa e apartamento dos sonhos bem equipadas, bem decoradas; um carro ótimo, viagens internacionais, celebrações lindas; o ensaio fotográfico da gravidez, dos filhos, há uma lista gigante de ostentação mostrando como vivem ou estão vivendo "o melhor". Mas afinal, será que está quase todo mundo "bem de vida" assim? E os que não estão, são exceções por falta de mérito, sorte, organização ou falta de benção? Os que não estão nessa "linha" devem se sentir deslocados, injustiçados, tristes, frustrados, azarados ou coisa assim? A comparação sempre passa por uma sombra de frustração e ingratidão... E é sobre isso quero que falar.  

Não estou isenta de alguns sentimentos e pensamentos que citei. Na minha idade (casa recente dos 30) e como falei, no meio da minha profissão; sinto a cobrança de ter sim: o meu lar muito bonito, planejado por mim e até de algumas pessoas imaginar/ associar que eu deva ter algo como "alto padrão". [Eu imaginava. Mas já ressignifiquei isso.] Porém, também fiquei pensando em uma coisa que ouvi: "O que vamos dar de presente quando você casar? Vocês tem tudo!" E quando eu fui fazer a lista dos possíveis presentes fiquei pensativa... "Meu Deus, temos tudo que precisamos e mais um pouco! As coisas a mais serão para diversificar, algumas para trocar (diante do tempo de uso), alguns são privilégios de comodidades que queremos ter, alguns utensílios específicos ou mais "bonitos". E é claro, queremos adquirir coisas maiores também como casa própria, um carro... Ascenção financeira no trabalho, etc. Mas no geral, temos tudo que precisamos de fato e mais um pouco. 

A minha mente e meu coração, às vezes, quer todas essas coisas a mais de uma vez! Essa realidade "ideal". Mesmo acreditando que tudo isso é questão de tempo pois, tantas outras coisas também foram, há uma pressa! Há um anseio tão grande que se torna "ansiedade". Há pesquisas por horas sobre um assunto, em querer organizar, em querer mostrar que estou sim fazendo ou querendo a minha realidade nova; e tudo isso cansa! Muito. Por não está no agora mas sim, em infinitas projeções. 

No meio das comparações que perpassam e muitas vezes que a gente nem percebe, chegou a mim uma reflexão: No fundo esses desejos apressados vem de uma sensação de "estou ficando pra trás", "o tempo está passando para eu realizar ou ter tais coisas"... Isso é péssimo! Pois, não vemos nisso tudo quanta prosperidade já temos! Estamos tão acostumados a tal prosperidade estar ligada a bens materiais grandiosos ou relacionada a coisas, feitos que são desejados por muitos, que deixamos passar aquilo que de fato faz e está no nosso cotidiano e que sim, já é muito bom! Esquecemos de celebrar as nossas conquistas individuais, as nossas pequenas vitórias de cada dia. "Vamos fingir costume", mas por quê? 

Eu li num livro algo como: "Se você tem alimento para estocar, isso já é fartura." Isso me pegou de um jeito! Nós podemos escolher o que comermos, nós podemos consumir água sem está contaminada, nós podemos dormir confortável, nós podemos assistir o que quisermos por TVs, computadores e celulares; nos divertirmos, ter acesso a lugares ótimos, livros, inclusive saber ler! Podemos também combinar e se "enfeitar" com tantas roupas e acessórios, decorar a nossa casa, consumir algo apenas por que nos dá prazer; nos deslocarmos em automóveis confortáveis; poderia listar tanta coisa... E aí a sociedade que vive isso é a mesma que diz de várias formas: "Você não deveria se contentar com tão pouco! Tem tanto para viver, aproveitar e ter! Tenha metas. Isso que você tem poderia ser melhor. Parece tão fácil para algumas pessoas..." Não diminuam as conquistas dos outros, por favor. Trazer esses discursos a custo de quê? Interferir diretamente, ou mesmo cutucar a alegria do outro... Não seja estraga prazeres! Inclusive, reveja o que está trazendo contentamento de fato sua vida.  

Não venho aqui com um discurso raso de estagnação; não acredito ser ruim desejarmos e nos planejarmos além! Sonhar alto. Não é isso. Não é se limitar. Mas será que precisamos mesmo de tanto? Ou, de tanta pressa? Será que não estamos deixando de curtir o caminho e fazermos e vivermos melhor dentro do que já temos agora? Além do mais, às vezes é só uma fase.

Eu já tive fases de viajar mais, estar melhor financeiramente e ainda assim, não está no meu melhor momento. Porque os bens de fato são efêmeros. "Dinheiro não traz felicidade?" Sem hipocrisia. Ajuda sim na felicidade. Quando nos traz conforto e a possibilidade de aproveitarmos muitas coisas. Entretanto, esse não deve ser o centro da gratidão. Nem mesmo da prosperidade. Somos mais que isso, precisamos de fato mais do que isso. Isso sim é que nos limita: focarmos somente em "ter" e em experiencias extraordinárias!

Nem sempre também, o que outro tem e que é bom, é bom para termos e sermos. Outra coisa, podemos só admirar. Já pensou em somente se inspirar na coragem, vontade e possibilidade de realizar um sonho como aquela pessoa? De simplesmente ver outras pessoas realizando sonhos e ficarmos felizes por elas ao invés de nos entristecermos ou nos compararmos porque não foi com a gente aquilo? Por que não cuidarmos muito bem do que já temos e criamos assim, realidades melhores (mais próximas, alcançáveis) e boas também dentro da nossa realidade atual? Há tantas formas criativas, cotidianas, simples e saudáveis para "romantizamos" e embelezarmos nossa vivências... ["Não deixar o perfeito ser inimigo do bom."]

Em vez de ficarmos nos comparando devemos lembrar que nossos processos são outros! Deus conhece e sabe o melhor tempo para que algumas coisas sejam plantadas, desenvolvidas e colhidas por nós; gostemos ou não. Não estamos atrasados! Se nos permitirmos está mais alinhados com o que Ele quer para nós e quando é o tempo de vivermos e termos algo, estaremos desfrutando dos frutos da espera com o coração, mente e espírito mais saudáveis. Gratos diante do que já somos, vivemos e temos, como também, na esperança. Sonhos construídos em uma rocha segura!

Na espera acontece movimentos e eles não precisam ser bruscos e tão visíveis aos olhos de todos. Na verdade, quase nunca ninguém ver de fato. Nem mesmo a gente com esse olhar apressado... Nesse meio de caos. 

Desejo que possamos ter um coração grato, uma mente humilde e paciente para atravessarmos os processos com anseios, mas sem "ansiedade"; que possamos ter uma presença e um olhar atento para absorver o que é bom e não se deleitar e cair, naquilo que não é; de vermos a beleza e a potência de tantas vivências e encontros valiosos em nossos cotidianos; de que possamos confiar mais uma vez (e com muita teimosia e certeza) naquele que sempre esteve conosco [Deus]; desejo que a gente possa enxergar a bondade de Deus por meio das nossas boas relações e momentos com tantas pessoas que amamos... Nós que somos voláteis; que a gente possa lembrar de tudo isso ou que Ele nos lembre. 

Leveza. Desejo a todos leveza e gratidão. 

terça-feira, 16 de maio de 2023

Carta de agradecimento ao meu primeiro apê


No apê 301 consegui entrar em um grande autoconhecimento. Quem eu de fato era ou queria ser quando não tinha absolutamente ninguém para julgar, orientar, controlar, pedir... Nada!? Morar sozinha foi ótimo! Descobri que gostava mais ainda de luz "amarelada", aromatizadores, cheiro de roupa limpa no varal, cuidar de plantas, tomar banho ouvindo música na penumbra, faxinar e me cuidar aos domingos e em seguida ir a igreja, ficar no silêncio, comprar besteiras, mas em sua maioria, coisas saudáveis para fazer/ comer (pasmem); aproveitar bem a solitude, ficar bem comigo mesma e sim, revisar várias coisas que aconteceram... Perdoar, lidar, seguir em frente. Comprar vinho e pizza também foi algo recorrente e muito bom! Receber vários grupos de pessoas para conversar, comer e jogar. Nunca tinha imaginado que um lugar tão pequeno pudesse atrair tantos e ser tão bom. 

Teve vários bons encontros com família e amigos. Muitas comemorações em uma mesa dobrável, um sofá relocado, banquetas e banquinhos espelhados para caber todos muito bem; teve um vizinho que virou amigo; teve "home office" com produção de doces e de muitos projetos. E foi lá que de fato conheci meu noivo. Sim! Em casa. Ele precisava de um lar, e era eu, e foi lá. Aos poucos e até um tanto rápido (para nosso tempo de relacionamento), mas parece que desde o inicio não combinava ficarmos longe; não havia necessidade de fato a distancia; foi então que um dia eu disse para que ficasse determinado e claro: você mora aqui. Diante do tempo que ele passava, mas também, diante de como eu via que ele se sentia estando lá, esclareci que o lugar dele era ali. E isso também foi bom, muito bom.  

Foi lá que eu tive a ousadia de ser mãe. Mãe de planta e mãe de pet. Mesmo várias pessoas dizendo: "Não tem como! Olha o espaço que você tem! É pequeno..." Ignorei isso porque eu organizo e faço caber, sim! Tenho um coração grande. (Risos) Adotar um cachorro foi uma das melhores coisas que fiz! Pela companhia, pela troca do amor incondicional (aprendi tanto), pelo cuidado mesmo cansada (treinando, né?), para ver como o meu mozi se comportava, para desenvolver tantas habilidades... Além de claro, me divertir. 

Teve também amizades feitas por ser mãe de pet! Pela minha profissão... Vizinhança boa. O apê foi ficando muito cheio com um tempo (mais dois integrantes e alguns móveis a mais e maiores; como também, outras atividades foram surgindo e pessoas a receber para dormir); então já era hora de me mudar mesmo. 

Agradeço pelo abrigo em toda sua dimensão (física e emocional); pelas oportunidades de boas vivências que tive ali. Por tantos finais de tarde contemplados da janela do meu quarto (e fotos excelentes); pela porta escancarada para varanda e essa liberdade... Por Deus ter cuidado tanto e tantas vezes de mim ali; e por meio de lá também, ter mostrado o seu amor. 

É isso... Vamos a mais um! 

 

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Mudanças de casas e poucos lares


Bem... Estou vindo aqui pra dizer que me mudei! Sim, agora o "apê" é três vez maior e o número? 302. Coincidentemente, o número seguinte do que eu morei. Vou contar porque eu saí de lá. Infelizmente não foi nada tão incrivelmente planejado, romântico ou por um bom motivo como eu esperava. Mas às vezes o que precisamos é de um empurrão e não de um afago ao ego ou no coração, não é? Senão, a gente se acolhe, se encolhe e não movimenta. Pois bem... Eu tive que sair e acreditem, apesar de bizarro, não vou incrementar nada, nem fantasiar pra melhorar o relato (ou piorar), é sério o que vou contar. 

Quinta-feira, recebi várias mensagens como sempre. Ignorei a de um numero estranho. Até indo fazer "a limpa" vi outras novas mensagens insistindo pra falar comigo, então perguntei quem era. E resumindo, fui ameaçada que sabiam onde eu morava, que eu deixasse de falar que na rua estava perigoso etc. Como em uma novela e pelo meu perfil, fui unindo os fatos e descobri que era somente um antigo morador querendo voltar a morar no prédio e morar exatamente no meu apartamento de localização privilegiada inclusive pra ele "aprontar" as coisas que queria. Fiz um B.O pra me resguardar, mesmo sabendo o teor das coisas (que não era exatamente grave, mas apenas um drama invejoso) eu me organizei para sair, pra também não arriscar.

Antes de sair do apartamento, com algumas lâmpadas a menos, apagadas, parei no meio dele... Antes de abrir a última porta onde havia deixado meu cachorro, me deu vontade de chorar. Olhei para aquele vazio, aquelas marcas que passei por ali... Um pequeno desenho na parede, uma placa escrita "casa + amor = Lar" (escrita e feita por mim, que não desgrudou por nada no mundo da parede); eu agradeci mais uma vez... Como aconteceu tanta coisa importante e boa ali, meu primeiro lar de fato depois das casa dos meus pais. A minha extensão não somente mais em um quarto, mas em cada canto. Eu respirei fundo, enxuguei o rosto, abri a porta do quarto, peguei meu cachorro, fechei a janela, desliguei a luz, tranquei mais uma porta e saí com o coração pequenininho. Eu nem sabia que eu poderia me emocionar daquele jeito. Depois, quando falei pra meu noivo e minha mãe, quando falei pra minhas amigas, deu um nó na garganta. Como agora. 

Meu noivo perguntou: "Você quis chorar de tristeza? Precisávamos sair de lá." Eu: "Não. Não se chora só de tristeza... É porque foi a primeira "casa" só minha..." Embarguei a voz ali. Minha mãe ouviu e soltou um sorrisinho de quem entendia o que eu não disse; e de fato eu só consegui escrever pras minhas amigas sobre. Nem áudio eu consegui mandar. Mas agora, eu vou externar na minucia e "descobrir" o que está aqui dentro. 

Quando eu fui morar sozinha eu estava com o coração tão quebrado... Só Deus e eu sabemos. Só Deus sabe as noites que chorei pedindo e perguntando a ele: Quando terei o "meu lugar"? Eu me sentia tão deslocada, envergonhada, tão sem chão, mesmo sabendo que sim, eu sempre tive pra onde ir; casa e pessoas que me acolhessem, mas era uma falta... Uma lacuna gigante que só piorou depois que terminei os meus dois anos de estudos intensos. Ficou mais nítido. 

Minhas roupas e coisas, teve um período, que estavam espalhadas em três residências diferentes; não me sentia realmente em casa (de todo) em lugar algum. Eu estava indo de casa, em casa e escondendo parte de mim, dos meus desejos, das minhas opiniões, das minhas coisas, do que eu queria, da minha voz... Só em troca de ser aceita. De ter pra onde voltar de uma certa forma. 

Fui me apagando nos relacionamentos. Tem pessoas que acham que foi só no "amoroso", isso potencializou muito, mas eu estava assim no geral. Eu tinha receios nas três moradas que eu estava indo. Uma era de onde eu saí, do interior, dos meus pais. Sempre sui bem recebida e quando eu voltava lá, também voltava de alguma forma pra mim; mas não era mais para voltar a morar lá, senti isso. Voltar pra casa dos meus pais, depois de ter saído pra estudar, trabalhar em área especificas, ter um relacionamento longo com um rapaz, entre outras coisas, me remetia a um "não deu certo e ela está voltando". Sempre que eu pensava nisso, eu ficava triste, chateada e frustrada. Foi uma espécie de "engula o choro e faça o que tem que ser feito". E fiz... Aguentei coisa demais. Pra não "voltar atrás". 

Eu nunca havia me sentido tão mal com pessoas tão próximas, tão intimas, como me senti nos apartamentos que passei. Desde discussão por espaço, por esquecimentos (e quanto mais eu me estressava mais afetava minha memoria, o que não ajudou); depois por ciúmes, por não ter nada muito definido, depois por desgastes, por se ferir. Meus perdões foram conviver, ser boa e não desejar o mal, mas isso não significa que algumas coisas que me atravessaram naqueles momentos não deixaram marcas. Eu era tão tranquila que é até estranho de lembrar. A minha paz incomodava e eu não estava nem aí se era ela que incomodava. Eu queria manter, eu tinha muito "orgulho" dela. Mas as circunstancias me roubaram muito do que a sustentava. 

Ah eu tive momentos bons! Sim, vários. Eu tive pessoas que sempre foram boas apesar de qualquer coisa. Eu descobri acolhimento onde nem esperava, eu consegui terminar meus estudos, dar aula, viajar bastante, conhecer bons lugares, comer bem, ter pessoas sem me aperrear diretamente. Mas... Eu me pegava cinza. Vez ou outra. Sem energia. Eu tive medo de entrar numa depressão, meu sorriso foi ficando escasso ou, pelo menos, aquele sorriso que transborda e eu observei isso... Como alguém tendenciosa a pesquisar, eu fui fundo em mim, analisei cada pedacinho e decidi terminar ciclos. 

Terminei um relacionamento amoroso longo, eu não voltei mais a nenhum desses apartamentos a não ser pra pegar algumas coisas, outras eu deixei pra trás e nunca mais sequer voltei ou quis buscar... E então, eu voltei pra casa. Pra primeira, decidida a passar pouco tempo. Quanto tempo eu não sabia.  Eu voltei pra casa. A casa que eu tinha receio de voltar com a cara de que "falhei" na vida. E eis que as coisas começaram a clarear e se assentar e fluir. Deus bom. Eu voltei por apenas um fim de semana, fui chamada pra trabalhar em um lugar fixo, não tinha onde morar ainda, mas disse que queria tanto morar sozinha, minha família ajudou sem pestanejar (Deus bom!); minha mãe já vinha comprando coisas pra minha futura casa, eu também... Outras coisas vó, pai, irmão me ajudaram... 

No meio do processo fiquei em um apartamento de uma prima (por pouco tempo, duas vezes), o suficiente pra eu concluir umas aulas que eu estava ministrando, outras que estava assistindo pois estava fazendo uma pós nesse olho do furacão e voltei também para trabalhar durante uma semana até achar o apê 301. E foi isso. Eu fui pra o apê 301 e muita coisa gigante aconteceu em 25m2 pra meu coração. 

P.S: Eu vou escrever uma "carta" continuando e finalizando sobre o 301 na próxima postagem.

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Fim de tarde

Fim de tarde de uma sábado e eu ainda estou de pijama. Já tomei banho, comi, mas coloquei o pijama novamente. Não que eu queira dormir, eu quero a sonolência do estar tranquila. 

Deitada, um livro na mão, um lápis que eu sempre perco em meio a cama desarrumada e a janela aberta. Parei de ler. Nessas horas eu gosto de olhar pra janela e ver as cores do céu mudando em poucos minutos; se misturando entre amarelo, laranja, azul, rosa, lilás, branco e as nuances de cada um. São poucos minutos pra não se ver mais o mesmo. Eu acho muito bonito quando vejo um avião passando e cortando as nuvens com elas iluminadas fazendo um caminho. Nesse momento o avião parece um foguete nos conduzindo pra um lugar com direção, mas sem sabermos o destino. 

É algo infantil, talvez, mas eu fico pensando enquanto estamos aqui nessa vidinha parada no fim de tarde, tem tantos indo além, pra outro lugar. Fazer o que? Às vezes eu queria estar no avião de rastro iluminado pra viajar e encontrar outra realidade, mas por vezes também, eu só queria está como agora. Observando calmamente tudo e pensando como tem muitas coisas muito além de mim; como tudo ao redor vai indo, vai longe, segue. 

Tem gente que vê fim de tarde e dar uma certa tristeza. Achei estranho pensar assim. Eu vejo fim de tarde e me parece que Deus está calmo... Enquanto estamos caóticos no trânsito, resolvendo coisas, querendo ir pra casa, concluir algo antes que o expediente acabe, contando a hora pra buscar alguém, pensando no que fazer e comprar pra o jantar; o céu vai calmante brincando com os reflexos do sol. As nuvens vão se espalhando e dando visão as estrelas.

O pôr do sol, o olhar pra o céu me pede reverência porque eu não controlo as horas, nem quase nada a meu redor... E tudo passa. Mais um dia que vai acabando... Pede pra desacelerar. Diferente de quando o sol nasce e o que penso é: "O que temos pra hoje?" Então me apresento ao mundo e minhas diversas funções. A noite me pede pra ser apenas eu mesma. Porque teoricamente, ninguém vai me aperrear por horários. Estou livre. É por isso que eu gosto da noite. Agora eu entendi mais. A noite me permite mais, olhar pra mim e olhar pra dentro.

sábado, 27 de agosto de 2022

Uma crônica astrológica - Meu primeiro voo!

[Pensamentos aleatórios: "Quando foi que fez algo pela primeira vez?" "Eu queria que alguma coisa movimentasse diferente a minha vida... Faz tempo que não existe algo que me deixa muito feliz e animada." "Universo me surpreenda positivamente!" "Vai ser incrível".]

[Texto escrito no avião.]

Um meio do céu em sagitário do ladinho de escorpião... E eis que meu primeiro voo é uma missão  onde um sagitariano e uma escorpiana me convocou para essa responsabilidade e aventura. A missão? Levar uma filha dog virginiana para minha linha vênus que é em virgem! Quando pertinho da viagem surgiu alguns desafios... Tive que colocar a emoção no bolso. Sol entrou em virgem! Vamos ser práticas! Fui comemorando cada pequena vitória com o coração na mão. Deu tudo certo. Deus bom. Tanta gente pra falar e coisas pra resolver que não parei pra me ouvir. Ansiosa? Sim! Com medo? Não. Mas tensa. Só querendo me aquietar...  

Finalmente já no avião. Andando... Voando! E o avião levantou voo numa narrativa emocionante de uma criança! "Direita, esquerda, voandoo, uauuuuu!" Haha foi legal pirralho, me senti uma criança num parque diversão! Subindoooo e planando. Que delícia! A névoa embaçando e o escuro da noite não tirou a beleza de poder se emocionar e ver as luzes da cidade pela janela. Nos ouvidos, logo depois, a playlist "journey" que a astróloga maravilhosa (Isa) fez.

A aeromoça falou que a cachorra que eu estava levando tinha que ir na malinha, mas a garota, não quis. Fiz a vontade da cachorra assim que a aeromoça se afastou. No escuro do avião ela pareceu entender o combinado, ficou quietíssima como uma bolsa no meu colo.  Fui legal, afinal, era a primeira vez dela e a minha também. 

Cheiro de comida! A minha companheirinha de voo pirou; eu não quis porque já estava com fome muito antes e jantei no aeroporto; mas o vinho... Ah! Eu quis entre malabarismo com uma cachorra faminta no colo e um desafio também que era não sujar minha blusa branca! Céus! Deu certo de novo. Bom. Tudo sob controle. Eu deveria dormir, mas veio a vontade de ir ao banheiro... Então pensei: "Vou levar ela, vai que queira também". No fim das contas, não quis; mas me acompanhou em um cúbico e me fez imaginar que ser mãe solteira deve ser péssimo. 

Eu não sabia abrir a porta! Haha era tipo camarão! Deixa eu explicar: Abre empurrando e não puxando; o gringo gesticulou pra eu empurrar. Vou aproveitar e falar uma percepção minha: Eu encontrei pessoas gentis. Eu não sei se foi por minha cara de "perdida"; se o que sensibilizou as pessoas foi eu estar com uma cachorrinha fofa; ou se as duas coisas. 

A cena de quem me via era: Eu estava me esforçando pra segurar uma bolsa na transversal (que não deu pra ser mochila); uma bolsa pra cachorra e ela na guia longa. Depois ela dentro da bolsa e eu cheia de coisas pra prestar atenção. Fora a mala gigante durante um tempo. 

Tive uma estratégia: Não bancar a desenrolada. Primeira pessoa no aeroporto cheguei e falei: "Perguntando como bem leiga mesmo, tá?..." E ele me deu todas as coordenas. Teve gente me parando pra falar com a cachorrinha, gente me dizendo "Ei, já pode ir lá!"; gente falando que era um grande amor e delicadeza levar a cachorrinha (um idoso) e me acenou no corredor; um  ajudando a apanhar meu celular que escorregou no avião porque a ela não parava; outro segurando a bolsa dela enquanto eu fui pegar um tapete pra ir ao banheiro junto com ela; outro pegando meu copo pra eu me locomover melhor; gente me ensinando a abrir a porta hahaha... É muito bom também ir com quem sou hoje! Pra discernir e curti cada perrengue e delicadeza do que há de bom. Eu já passei por tanta coisa complicada que essas estão sendo até divertidas e o foco é: Quando eu entregar a cachorrinha aos pais; encerra a missão e começa o bônus da diversão! Vou poder ficar mais leve... Mas desde já; está sendo um presentão, Deus!

Não dormi. Tentei e falhei muito. A poltrona do avião é desconfortável (não sei inclinar) ainda mais com uma baby no colo escorregando e se mexendo. Mas pelo menos ela dormiu bem lindinha. Fecharam algumas janelas, mas do outro lado do avião, na minha frente tinha uma aberta. Fiquei mirando numa estrela acima num azul escuro e um laranja esfumaçado aparecendo. Olha só... É a aurora... Sabe lá de onde, porque ainda são 3h da madrugada pra mim. Fiquei acompanhando e repetindo a música que veio (depois da primeira playlist e dos trocentos podcast bizarros do não inviabilize). "His glory appears". Eu amo essa música longa e magnífica. Eu disse antes: Vou ver o nascer do sol quando for. Disseram: "Só vai ver nuvens..." e eu: "Ué, mas tem as cores, os raios..." E cá estou... Olhando essa lindeza pela janela alheia.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Cobrança

É uma tristeza sem motivo óbvio aparente. Certamente são acúmulos. Mas há tanta coisa pra agradecer também, sabe? Eu deveria estar triste? Tenho esse direito? Continua me atravessando e eu querendo negar. Que luto eu tenho que viver?

Eu só queria parar de lutar um tanto sabe? Porque estou “cansada” e isso tem se repetido muito em meus discursos internos e externos, devo parar com isso. Receio atrair coisas ruins, receio ser eu quem está causando muito disso tudo, pelas minhas “energias baixas”; está meio difícil combater, me pego vez ou outra abatida (nem que seja internamente). Eu às vezes sei o que quero, mas não como fazer. Parece que eu não tenho o direito de me “rebelar” porque não vai adiantar mesmo, parece que fazer errado é o certo, parece que meu “certo” nem está tão bom assim, parece que eu me perdi do olhar facil com contentamento pras coisas. Por que o “fluir” não está dando, como pode? Que fluxo é esse? É um caos quando eu tento me adaptar tão rigorosamente. 

Eu perdi duas pessoas na minha família nesse periodo de pandemia, uma bem recente; não por covid, mas porque o coração parou. E a vida delas já estava um tanto parada, vivendo sem motivo, então suspiraram e descansaram. Deixaram de existir. 

Eu tenho tanta sede por viver que o cotidiano do jeito que está não me parece bom. Mas ora, vivemos de coisas"corriqueiras", de ordinários, de desafios constantes e sim, eu estou querendo um "oba, oba". Indignada por muitas coisas e minha falta de "oba, oba". Eu senti falta de coisas que já vivi... De coisas que ainda não vivi também. E das que eu vivi lembro de querer tanto coisas que tenho hoje. 

Tenho receio de não viver uma vida bem vivida, sabe? E estou enfadando a visão da minha. É minha geração... Claro que é reflexo, não tem como. Não estou falando da minha idade em si, mas do meio em que estou, e a o invés de focar nas coisas que vem do alto, eu fico querendo um pouco do muito que me é mostrado, que aparentam viver, ter. 

A idade que conta é a que estou chegando e me cobrando pelos meus: "O que fazer antes dos trinta?" As cobranças sociais que eu não cumpri estão batendo na porta. É isso. Por que eu tenho que viver (querer) como se houvesse pouco tempo? É uma pressa  de desejos...  Isso não é bom. 

Falta o equilibrio, e eu vou encontrar. 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Oi, sou eu de novo.

Chega de clichê que eu demoro a vir escrever, afinal, quem me ler? Não devo justificativa nem a mim, e que bom. Hoje vim desabafar pra ver se algo vem a tona. Algo ilumina. Eu vou confessar uma coisa, eu não sei desde quando exatamente, mas, não é sono, não é fome... Mas luto com uma tristeza. Acho que posso nomeá-la assim. Aparentemente ela não existe, eu tenho um veslumbre e corro, me passo, finjo que não estou vendo, mas ela senta do meu lado e me abraça, susurra aos meus pensamentos e fica um tempo.  

Eu perco a vontade, eu fico sem saber o que quero, fico com preguiça de comentar, eu não quero que perguntem muito sobre minha vida, nem sobre mim. Não quero mentir, nem falar a verdade, nem dizer que não sei. Na verdade estou me sentindo meio perdida, desanimada no geral. Fico justificando que eu não tenho motivo suficiente pra isso. Mas estou assim e não estou de TPM. 

A vida está séria e eu me observo e me pego, mais cansada de falar. 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Acordes

Deixa eu te revelar um segredo: tenho uma queda por acordes. Sim! Eu gosto do dedilhado e das vibrações; gosto do som somado e criado fazendo música; me enleva!

Eu gosto de quando quem toca aperta os lábios pra segurar a concentração; gosto quando fecha os olhos porque a confiança chegou, fluiu... É de leve gozo, sorri e volta continuando ali criando arte falante, audível. A música é uma linguagem além não, é mesmo? Ela te proporciona uma passagem para além do agora. Você ouve e lembra, ou cria cenas; pensa em estórias e histórias; seu corpo responde aquilo que nem você está pensando. Primeiro é sensorial, depois cognitiva, depois psicológica, emocional e por que não transcendental?

Transcende. Sim. Além... Além. Enquanto escrevo já entro no balanço só porque estou pensando em música, quiçá ouvindo. Elas trazem uma influência consigo na melodia. Percebe? Se nenhuma letra tiver ainda sim, transmitem mensagens. Eu sinto. Você também?

Acredito que as músicas sugerem desejos e comportamentos mesmo que não tenha uma ligação precisa com alguma vivência. A melodia fala. Observe. Tem músicas que me fazem bater os pés ou os dedos de forma ritmada; tem as que me despertam querer abrir uma garrafa de vinho; tem as que me sugerem pegar uma estrada; dormir, confraternizar, louvar, dançar de várias maneiras; tem as que me sugerem um momento a dois; tem umas que me fazem querer me exercitar; beber, meditar, sorrir, tocar, ler, criar, relaxar... Tudo isso sem uma única palavra cantada. E com a letra, o óbvio: me sugerem aprender a cantar ou, questionar de onde surgiu aquilo e então assim, se quero passar ou repetir.

Você já ouviu música ao desperta do sono? Na cabeça! Sim! Como um bom despertador. Eu me pego pensando as vezes porque algumas músicas chegam e ficam insistindo; parecem mensagens. Talvez. Há também as chatas que implicam em brincar com seu gosto atormentando a sua mente porque algum "desavisado" cantou ou, deixou ela passar por perto. Ah... E as "atos falhos"? Pois é! "Do nada" alguém canta algo revelador de si, sem perceber.  Além de tudo isso as músicas também dão vozes emprestadas a quem não sabe como se expressar, ou quer fazer de uma forma criativa. Nos aproximam, nos distraem. 

Agrada-me muito não somente saber sobre ela, mas realmente existir a capacidade de senti-la. Na verdade a música é em suma pra mim, sinestésica.

Sabe acolher?

Eu poderia ter escrito aquela frase hoje como resumo: "Só contamos nossas fraquezas pra quem nos fortalece."

Não é questão da outra pessoa saber resolver, nem também apenas ouvir e confirmar ou, enfatizar que sim, as coisas andam mal. Tem gente que muda nossa energia pra melhor! Chegamos com vontade de chorar e saímos rindo de nós mesmos; chegamos com um ponto de vista "ladeira a baixo" e a outra pessoa te mostra vários caminhos no mínimo melhores pra apreciar; tem gente que pega o teu óculos e vai lavar pra você; deixar limpinho. É teu. São tuas lentes, mas agora melhores; tem gente que fala sobre coisas tão aleatórias que você percebe que não tem pra quê o foco em coisas ruins, ou desandadas; tem gente que compra doce, ou lhe oferece uma volta pra "respirar" e a gente volta a si.

Tem tantas formas de ajudar; só requer disposição. É um fator em comum. Por vezes, até você se ajudar também ajuda alguém. A solução nem sempre é aniquilar a causa no exato momento, sabe? Tem coisas que não se resolve rapidamente, nem de forma objetiva e prática; tem coisas que leva tempo e faz parte do tal processo e é isso. Então ajude no processo! (Se você está bem pra isso, se não tiver, pede ajuda no seu [processo]. Mas não atrapalha.)

A gente precisa de alguém pra "processar" melhor de vez em quando; alguém que não coloque mais "pilhas". Precisamos saber qual o nosso limite em dar e receber. Não adianta estarmos um tanto vazio e ficar procurando se energizar muito em uma fonte só. Como é que fica o outro? O que você deixa com e nele? 

Leveza. Leveza. Pratica-se também. A gente transmite também, leva ao outro. Tem gente que reequilibra só em a gente está perto.  

Você, entende? Acolhimento o nome disso. 

sexta-feira, 12 de março de 2021

Enfermidade

A morte andando a solta por aí, por aqui; tirando a respiração, levando consigo milhares e milhares. Um sopro de vida e o ar já nem é mais suficiente. É tão grandiosamente triste e assustador, parece que ela está a espreita observando a todos. Não precisamos nos dedicar mais que poucos minutos a ouvir a respeito, pra ela tirar o brilho dos olhos e acinzentar tudo. O mundo, o país. 

É uma guerra com o invisível. É uma guerra entre as pessoas e a falta de outras. Uma guerra onde não sabemos a abordagem, o amanhã e por vezes, não queremos enxergar a dor em si pra não desmoronarmos. A enfermidade nos rouba algo, aliás, nos rouba várias coisas. A morte nos rouba a vida aqui. Mas a enfermidade, a autoestima, a "independência", o orgulho, a força, o tempo... O bom tempo. São tempos difíceis. Inimagináveis, reais demais. O que você faria? Lutaria contra a morte, ou lutaria pra aproveitar o mundo com a certeza dela? 

E o que seria de bom proveito mesmo se não lembraremos na certeza que se tornarão apenas boas lembranças para os que ficam? Qual o teu legado?  

O mundo está doente e oro pra que haja redenção e misericórdia na mesma proporção. É triste... Muito triste. Há uma dualidade entre se cuidar e ter empatia; e outra de negação. Qual saúde priorizar? A física, emocional ou a psicológica? E isso se separa?   

"Oro pra que haja redenção e misericórdia na mesma proporção". Ouve o clamor dos teus filhos... Para que não somente saúde física seja dada, mas outras tantas e empatias. Pode chover isso? Dai-nos sabedoria, esperança e as tuas certezas em nossos corações... Para que sejamos fortes em ti e glorifiquemos o teu nome santo.  

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Ora, cansada! Oro, cansei.

É cada detalhe somado que desanima... Será soma de cansaço de mesmices que nos embalçam os olhos, criam ciscos e nos chateiam? Quando não enxergamos o céu, começamos a imaginar infernos para se estar. Como combater o diabo que aparece em nós em pinceladas sutis de enganos? Tão sutil que se mistura com a gente. 

Se Deus habita em mim; peço e digo: Já que aqui estás, não sejas sutil. Seja feroz na tua bondade; que inunde! Eu permito e quero que tome conta de mim. De cada pedacinho quer enxergas muito mais que eu mesma. Transcreve, ressignifica meu eu, conta outras histórias sobre mim... Porque tem horas que eu canso de lembrar o que fui, o que está acontecendo e também, dos tropeços atuais. Canso de mim mesma com exigências inalcançáveis! (Parecem ser. Ás vezes tenho minhas dúvidas)

Eu sei viver bem, sabe? Contemplar, maravilhar-se, gostar do simples, ver poética, ser grata. Mas, tem horas que a mente me desgraça! Cria coisas que me derrubam! Hoje é um dia que estou cansada, sem conseguir desanuviar muito a cabeça; então, ajuda aqui. 


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Batendo a real sobre homens

Estava em um casamento e na mesma mesa que eu estava havia mais um casal e uma amiga minha e ficamos falando sobre algumas características nossas com e para nossos cônjuges (ainda que ausentes na festa).

Apenas um homem na mesa e entre sensibilidades, ser sincero e espontâneo ao falar, algo me chamou atenção: (Mais uma vez.) Homens interagem as nossas conversas intimistas. Mas com o olhar, com gestos e não, não necessariamente estão "voando". Entre uma coisa e outra falei sobre "eles" não falarem a respeito de seus sentimentos, medos e deslizes; como se tivessem que ser sempre "fortes", e vão acumulando tantas coisas que parecem explodir "do nada" e nem gostam de falar muito a respeito. Que resistência! E o pior, não fazem isso uns com os outros. Amigos. E como se eu estivesse fazendo uma pergunta retórica lancei algumas questões. Mas o único homem da mesa pegou cada uma e confirmou o combo em poucas palavras.

Amigos homens passam por muita coisa pesada e só abrem pra falar, um pouco, quando estão melhores... Nós mulheres falamos de um tudo! "Homens são mais fiéis em amizades, mulheres disputam." Lembrei. Não... Basta uma abertura e somos muito unidas!

Tenho um amigo que se é pra falar de coisa séria daqui a pouco vem com um meme ou, outra distração; outro se faz de doido; outro nem fala sobre essas coisas; tem um que fica sumido; tens um que só sei que estão mal porque a namorada contou; teve outro que me espantei no dia em que encontrei e ele falou que estava tomando antidepressivo. Como assim??? Chegou a tantos pontos e eu nem sabia! Já teve uma vez que eu suspeitei que um amigo do meu namorado não estava bem e fui questionar ele: "Como você está? O que está havendo? Vocês falam sobre isso?" Só recebi resposta vaga, afirmando que o outro também expressava assim.

Outra coisa, eles elegem a cônjuge pra falar. Apenas ela! E as vezes. Como dar certo isso? Ficamos entre acolher, tentar entender e ficarmos sobrecarregadas. Um caos! 

Devemos parar de subestimar os homens em relação as suas percepções e sensibilidades. Atribuímos tanto esse lado "emocional demais" a nós que muitas vezes os tratamos como se não houvesse lá muita coisa que os abalem. Exigimos sermos ouvidas e compreendidas, mas quase não damos espaço para falarem na verdade. Instiguemos-vos ao diálogo. Dando espaço e tempo no ouvir. Porque dentro de cada um há um mundo! Deveríamos lembrar disso. 

Aos homens... Oro e peço: falem! Do que realmente importa para além das coisas sérias demais provenientes apenas do trabalho; comentários do cotidiano e brincadeiras/estórias que nos causam risos. Vamos dar um "se ligue", neles? É cultural eu sei. Mas meu lado revolucionária me diz que aos poucos a gente vai mudando esses cenários.

O silêncio de fora não dar voz as confusões de dentro, mas elas falam... Sim elas falam! Elas existem e estão esperando alguns "jeitinhos" nossos para que os homens transbordem. Que eles abram os acessos. Nada disso é sinônimo de fraqueza, desonra... É humano!

Humanos se unam! Na palavra deságua as aflições, e o bom amigo nos conduz de volta a si. Somos muito falhos para percebermos apenas linguagens não verbais. (Ainda mais com essa tecnologia que nos conecta, mas por vezes, nos separam.) Então para os homens: "Falem mais sobre isso!"

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Abster

O acúmulo de assuntos na cabeça deixam minhas atitudes vazias. Muitos pensamentos me assaltam e eu deixo passar, alguns me apego e depois solto de novo. Vários... De inúmeras fontes. Fiquei observando até pra saber: O que está pulsando? Ás vezes fico tentando misturar pensamento com sentimento, como se um não pudesse existir sem o outro, mas isso é desgastante... Não basta o mental, tenho que ocupar o emocional, também? 

Sei lá... Eu estou precisando de quê? 
"Não misturar." 

Acho que eu preciso descansar; mas é no sentido real mesmo. Abster, deixar fluir... Deixar passar. Meditar. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Uma guerreira exausta

Há muitas causas nobres para se lutar no mundo. Refleti. Mas infelizmente, eu não posso deixar de admitir que meu coração estraçalhado por mal de amor com um homem, me desconcentra. Vez outra, sinaliza ferida aberta ao mandar impulsos nervosos e mentais para o meu cérebro. "Insights" cobertos de devaneios, ansiedades. 

Eu fico até com raiva por sentir tanto em relação a essas coisas. Mas é latente, devo confessar o quanto as relações amorosas me afetam, por ser inegável mesmo isso; e pronto, aprender a lidar.

Orei mais uma vez, porque pra um combate eu não posso ir sem Ele. Falei sobre essa constatação; em lágrimas sobre o quanto doía, sobre o que eu queria... "Quero um homem segundo teu coração. Que seja tu que ensine a ele como me amar; a construir uma família com bases sólidas, quero alguém que me aproxime de ti."

Eu pensei em tantas coisas antes pra pedir ou falar, mas rasguei minha lista mental. Porque eu percebi que poderia vir um rapaz com diversas qualidades e admiráveis por mim; com vários itens da minha listinha, com dedicação... Nada disso valeria muito (como eu já havia pensado e vi na prática). Preciso de um cristão. Pois, isso compactua com o laço mais valioso da minha vida. Então se há algo fundamental pra dar certo, a base é essa. 

"A base é o diálogo."
"O amor é a base."
"Querer dar certo é a base."

Por vezes o diálogo falha. Parece que construímos uma torre de Babel em pequenos metros quadrados da nossa própria casa e corações. 

Ás vezes a gente quer explicar tantos de nossos desejos, alimentá-los que confundimos nossos propósitos e já não sabemos nem mais como amar. Sentindo? Fazendo? Sendo? Como mesmo?

Procurando encontrar a si, tem vezes que perdemos o outro de vista; os outros, as nossas referências... Ou, perdido de nós, queremos absorver um pouquinho do que cada um é e aconselha; nos debruçamos em tantos saberes para acertar, que o filtro obstrui; pede: Calma! 

Eu não tenho como não viver com Deus. Elo do melhor de tudo. Elo do melhor em tudo. Se não for com Ele... Eu nem sei de mim. Eu me encontro melhor quando estou com Ele; eu me sinto melhor quando aprendo com Ele, eu faço melhor quando é com Ele e para Ele. Eu encontro paz no caos no aconchego dEle; eu ganho forças nEle. 

[Como é difícil quando eu não entendo. Mas como é  mais difícil quando eu não te sinto... Eu te agradeço mesmo sem ver o que tens feito. Mesmo confusa eu te agradeço. Mesmo parecendo nada fazer sentido eu ainda agradeço; mesmo doendo eu agradeço; porque eu sei que as incapacidades estão vindo de mim, e não de ti. Sei pela minha fé e a tua fidelidade, que tu não me abandonaste. 

Pelo teu amor, misericórdia e graça, mesmo eu sendo pecadora, a tua presença é inquestionável. Tantos meios querem me afastar de ti, me por em dúvidas, me deixar envergonhada, me sentir indigna... E eu sou, eu tenho. Mas não quero virar a face pra ti, eu quero absorver a tua luz e tirar de mim, minhas escuridões. Mesmo falha, eu me prosto e ouso a te pedir: fica. Deixa eu ser contigo. Me transforma... Me... Tudo contigo.]

"Inquestionável". Foi a palavra que sonhei vindo de conselhos de uma criança. Avisava ser inquestionável eu poder me chegar a Deus. Estando eu como estivesse... 

Em meio a oração, tive um lapso: Hoje não quero orar só por isso mais uma vez; só por mim ou agradecendo até quem tenho por perto... Descentralizei de mim e comecei a citar nomes, como se eu pudesse abraçar um pouco cada um em oração... E foi indo... foi indo, não lembro de dizer amém; adormeci. 

Quando eu acordei... Pela primeira vez em tempos, o rapaz (ele do meu mal de amor) puxou um diálogo , e lançou um mini texto centrado, límpido, coerente, organizado, amável, tranquilo, esclarecedor, pretensioso e admirável. E pela primeira vez, eu concordei com tudo, o que é de se admirar mais ainda. 

Será coincidência? 

Nos vimos. Não conversamos os "por menores"; mas a gente se permitiu nos encontrar desarmados de novo. Como se tudo que aconteceu não tivesse passado de uma longa discussão dentro de um parêntese; a gente amou tranquilamente um ao outro de novo. 

Independente dos resultados dessa luta, não há falta de vitória com Deus. A oração era "que seja feito conforme a tua vontade"; doendo ou não, eu teria que aceitar, porque seria feito o melhor. E assim foi, assim é, assim será. 

Sabe quando seu coração descansa? Foi isso. Amém, amém. Já estava sem força a dias... 

sábado, 23 de novembro de 2019

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Remédio de pessoas

Uma pessoa jamais pode ser o remédio central para cura de outra. 

[Se o remédio não estiver sendo prontamente a cura em um dado período devido sua limitação, precisaríamos então substituir as pessoas?]

A cura deve ser um processo interno, divino e com uma rede de apoio descentralizadora. Um debruçar para o crescimento mútuo, visto que, um ser único, não significa o mesmo que ser sozinho, como também uma cura não deve ter uma via só para seres tão cheio de vielas como nós. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Mergulho no caos

Os meus braços não alçaram o cuidado. Não. O caos chegou mesmo eu olhando e avisando ("Atenção ele pode chegar. Porque o que é grandioso não vem do nada. Vem de detalhes, dia após dia".) Só eu vi. Chegou; e quando chegou, eu inicialmente apenas suspeitei. Mas chegou e bem pior do que eu imaginava: Obscuro, rasteiro, duvidoso, nebuloso, subjetivo, confuso... 

Mesmo eu sendo acostumada a também olhar para o escuro não dimensionei, não dimensiono! Porque ele não veio dos dois, não veio de mim. Veio da parte mais gostosa da minha vida. Da pessoa que eu ficava mais contente em ver; e eu não estou conseguindo ajudar. 

Eu que ajudo tanta gente não consigo nos ajudar! Eu que tenho tanta paciência estou corroendo a esperar.; eu que sou tão cheia de luz como dizem, me apaguei; eu que mereço tanto (como muitos também falam), estou recebendo frieza e confusão. Eu que quero distância pra pensar, estou recebendo uma presença distante; eu que dependo da ação do outro pra tomar parâmetro e agir em adaptação pra equilíbrio, eu não estou conseguindo ler! 

Eu que durmo e encontro paz, não estou conseguindo dormir; eu que tenho Deus dentro de mim, não estou conseguindo ficar bem por muito tempo; eu que tenho certezas, estou recebendo o caos pra ter dúvidas; eu que sou firme, estou quase caindo, sem conseguir prever o soco, só recebo. Eu que quero ser forte, chorei no meu ambiente de trabalho; eu que quero ser mulher, me tornei mãe, amiga, irmã e não sei mais quantos papéis eu fiz por situações que me chegaram... Hoje não sei como ser, o que ser. "Você mesma?" Mas meu senso de justiça precisa ouvir o outro! O outro! O outro não fala pra eu saber como agir. O outro não situa!

Dois perdidos; e eu aqui procurando achar... Ele não está bem. E isso tudo é só uma consequência, porque estou com ele. Mas como eu ajudo? Já não sei. Parece que estou no mar do caos e a pessoa na praia. 

Temendo que eu me afogue, ao invés de ajudar, empurrou a minha cabeça pra de baixo d' água. Sem culpa. Foi só o desespero dele e a falta de experiência. Porém eu estou morrendo nisso! Se salvar? Sozinha? E se eu disser que eu não tenho medo do profundo? Que eu não tenho medo de morrer? Que eu sei que lá eu posso ter outra realidade e viver, mas o que eu não estou querendo é ir? Eu não quero é ir! Eu não quero é morrer pra ele e nem que ele morra. 

Nem salvo ele nem a mim. Essa é a história. E quem nos salva ainda não vi. Só vejo as coisas fora de nitidez e eu sem ter onde me segurar. Distante cada vez mais... Quando eu chegar na areia, uma hora eu subirei, mas cadê o outro? A minha preocupação não é comigo, porque eu estou acostumada a respirar o ar de fora e de dentro. É com o outro. Que eu nem sei onde está. Nem se eu vou mais encontrar. Nem ao certo porque a gente chegou exatamente onde chegou. Eu não estou sabendo nada dele. Cadê ele?

Tento me comunicar e não ouço nada nítido. Só murmúrio estranho e vejo sombras... Não consigo nem identificar quem fala. Eu bati a cabeça será? E vem uns lapsos de lembranças dele. Eu já não sei se estou lembrand
o, sonhando ou delirando, por isso fico com meu medo de apagar de vez, pois, quando eu acordar, qual vai ser a realidade? 

Parece que nada do que eu faça ou venha na cabeça está adiantando mesmo. Eu estou sendo levada... E meu receio é: lá vai eu de novo... Dessa vez eu vou acordar com quem e aonde? 

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A vida é bem mais que isso

Os intervalos estão cada vez maiores de quando escrevo. Tão silenciosa na escrita e ao mesmo tempo, foram tantos momentos bem inquietos. Por que não vim antes? Falta de tempo, e também o receio a expor talvez incoerências, coisas chatas ou atrapalhar os momentos de quietude. Mas enfim, situar, sintetizar e até descobrir mais claramente algumas muitas coisas. 

Havia muitas expectativas para esse ano, que eu nem sabia que haviam mesmo. Como se fosse os votos de fim do ano, feitos sem eu nem parar pra listar, exigindo de mim uma marquinha de feito nesse subjetivo e abstrato "checklist". 

Prosperar no trabalho fixo, ministrar mais aulas, me resolver em voltar realmente pra igreja e congregar, não ter tantos parcelamentos em cartões; se encontrar mais com a família e amigos, organizar, deixar mais confortável e decorar mais a casa; casar... Mas até agora, só o último ponto que foi realmente feito. E o resto, bem, desandou. Essa é a verdade. 

No trabalho fixo as coisas começaram a ficar uma bagunça em desorganização, mesmo havendo vendas. E não pela minha parte, mas pelo contexto e por quem administra e isso, claro, afetou a mim. O outro trabalho onde eu ministrava aulas fechou; passei um tempo ausente até de ler a bíblia, houve uma pausa na busca com tanta sede, mesmo continuando com meu coração bem cristão, depois fui voltando e bem mais e melhor, estou frequentando uma igreja, mas ainda não estou congregando; muitos parcelamentos em cartões por consequência da desorganização dos meus trabalhos bagunçadamente remunerados; indo ver menos a família, mas são bons encontros, melhor do que eu espero na verdade, alguns encontros com os amigos mais próximos, mas nem tanto assim; e mais com aqueles que a gente fala de um tudo inclusive coisas não tão pessoais, para nem perguntar:"(...) E como isso... E aquilo?" E eu ter que responder algo negativo porque não deu certo e sentir que estava iludida, ou admitir. ''

Sobre casar, bem... Eu ainda quero e como quero. Mas não sei quando, nem como. Tanta coisa pra resolver ainda antes. Ainda não estamos prontos será isso? E é, de alguma forma. Esperar em Deus. Mas como explicar isso pra quem pergunta... Se a gente já até mora junto! 

O contexto político, a época da colheita agora, uma constância de absurdos e coisas ruins. Muitas...De desesperança em relação a sociedade como um todo. E então algumas vezes fiquei... Para onde olhar? O céu. Sim, contemplei tantos fins de tarde, tantas nuvens e paisagens; e apesar de tudo, me dediquei as amizades, a exortação, a acolher, a tentar ajudar mesmo. A ser luz. E tatuei, pra eu nem esquecer. Fiz quatro tatuagens. Um peixe - símbolo cristão; um mini coração - ou, um sinal de amor; e uma borboleta, para representar a transformação, a liberdade, a beleza depois de um processo e escrito o "Seja luz", com minha letra. 

E em meio a tantas conversas, a tantas coisas... Chegaram algumas vezes para falar a mim esse ano, o quanto eu fiz diferença na vida de quem eu cheguei, nos ouvidos atentos, nas palavras, em relação a meu jeito em si, tão bom. Não aos elogios em si somente, mas saber que contribuí para as pessoas ficarem bem, mudarem pra melhor, para ficarem mais tranquilas até; se aproximarem de Deus. E isso vem de Deus. Sim, potencializando as qualidades e me moldando. 

Até me esgotei com uma amiga, porque eu não estava bem e não conseguia mais ajudar. E conversei com Deus, fui me refazendo aos poucos de novo e de novo. Pesquisando sobre ansiedades pra ajudar, me encontrei ansiosa de novo. Estou lendo um livro bom sobre propósito , tem me ajudado. O conhecimento ajuda as práticas, contudo, até você se transformar...

Meses resumidos em algumas expressões como, "processo", "mas vai dar certo". E na verdade, eu acredito nessas duas coisas. É porque tem dias que é f**, mas afinal, não estamos no céu mesmo, não é? Tem horas que almejamos mais ainda o céu, Deus por perto... Já teve vezes que falei chorando: "Como alguém consegue viver sem Deus?" Porque, por tudo que Ele é. Pelo que Ele já fez; pelo que ainda faz. Por essa vida ser desafiadora mesmo... 

Tenho tanto ao que agradecer, muito! E mesmo assim, tive dias tão desanimadores, muito. De me ver sem saber em que me firmar aqui. Não poder fazer isso, em quase nada. Desorientada, sentindo que deveria saber exatamente e logo, pra onde ir. Nossa! Que tempos mentalmente infernais este da nossa era! Em relação a essas cobranças infinitas... De coisas passageiras. Cansa. Tem horas que viver cansa. E nesses dias a gente almeja ainda mais o céu. Cansei até de mim teve dias. Do que eu não sei, das confusões. 

O mau de hoje é em sua maior parte, invisível,subjetivo, mental. Falo não só de mim, mas do geral, do que vejo, ouço de outras pessoas. Tentava me aproximar de Deus e conseguia, e ao mesmo tempo, uma falta de força, de fé, de animo! Tão contraditório isso me pareceu. Mas estou voltando. Foi um lapso de realismo cético demasiado. Ninguém deve viver sem amor e poesia. Viver sem amor, é como viver sem Deus. Ou seja, é morte também. 

Estou voltando, desse parentese. Tudo está igual. Mas Deus molda por dentro... Muda nosso olhar, nos dar sensações inexplicáveis. Como: Tranquilidade, paz... Mesmo em meio a tudo. E então, voltasse a ver o que se tem bom; o que se é de bom, o que pode melhorar; o quanto deve ser grato, o quanto de coisas boas que tem por aí e por aqui apesar de. 

[...] Uma frase de um livro me levou a curiosidade e a refletir, é tipo: "Como você vê a vida?" Em uma imagem, frase, algo assim. "Como você vê, é como você lida." E fiz essa pergunta a mim e algumas pessoas e me surpreendi com as respostas, e o que elas trazem. Uma em particular me fez refletir mais: "Abundância". Que tipo de abundância? Financeira... Fazer o que tiver pra fazer, como quiser fazer. Foi mais ou menos isso a resposta. Pensei: Ué, eu queria isso também a um tempo, e ao ouvir, vi que não faz mais tanto sentido pra mim! Eu que gosto tanto de dinheiro... "A vida é mais do que isso" a pessoa falou, e eu concordo. Mas pensei: Gosto de dinheiro, estabilidade, quero fazer "n" coisas, mas ser movida por isso? A busca por isso? Achei tão vaidade, tão efêmero, tão raso, tão... Estranho. E o que é ligado aqui é também no céu; onde está seu tesouro ali está seu coração, pensei, lembrei. 

Eu não quero ganhar, fazer dinheiro a ponto de achar que posso tudo! Não quero me distanciar da dependência de Deus, de querer Ele resolvendo coisas comigo, de se eu tiver bons montantes, ver o sorriso de várias pessoas que eu possa ajudar com coisas tão necessárias pra elas; poder fazer diferença levando outras perspectivas, que elas se sitam amadas, que elas percebam que os bens vem de Deus. Bens reais. Sucesso agora são saúdes! Espiritual, mental... Equilíbrio. O que eu almejo muito mais são os frutos do Espirito Santo, e conseguir "espalhar" isso por aí, com e por outros. Isso me dar uma felicidade mais real. Essa é a verdade. Não sou contra a uma vida "boa" financeira, mas é o grau que isso pode chegar. O que move a vida. 

Enfim... Isso ajudou a me repor até. "Peraí!" A vida é boa na simplicidade sim! (Risos) A louca. Um estalinho na cabeça, para voltar ao equilíbrio e me desvincular dessas linhas de ansiedades e controles insanos. Tem muita coisa linda por aqui, é realmente fases pra nos moldar pra vida que teremos depois.. Moldando não nossa personalidade, mas o caráter. Valores. Sim, a vida realmente é mais que isso. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018.

Esse mês foi um mês bom, não acabou ainda eu sei... Mas está quase lá. Fiz boas vendas (no trabalho), fiz boas compras; saí mais com meu namorado, passei por uns momentos de partir meu coração por estresse e silêncio, uma conversa, umas conversas transformadoras, de mexer lá nos meus tantos baús. Sim, eu tenho e são vários. Estive com minhas amigas em um encontro do cuidado... muito bom! Tomei banho de chuva pedalando (não lembro a quanto tempo não fazia isso); fui a casa da minha vó e ela... Ela é maravilhosa (lar 3), conversei com pessoas que fazia tempo que eu não via e vi que eu já mudei tanto... Aquele encontro com as meninas, o meu encontro com Deus... Meus interiores mudaram tanto; e vou viajar, novamente para minha cidade de origem e encerrar o ano junto de quem tanto amo. 

Esse ano... 
  • Fui pedida em casamento; 
  • Me batizei;
  • Meu namorado começou a morar comigo; 
  • Passei 24hs (no máximo) sozinha no meu apê e parece que desaprendi a morar só (senti saudades de quem divide a casa agora comigo, um absurdo eu sei rsrs);
  • Comecei um trabalho autônomo com meu namorado; produção e vendas de doces;
  • Fui madrinha de casamento de uma prima minha;
  • Passei "o carnaval" no interior da minha cidade badalada e meus melhores momentos foi estar brincando de mimica, cantando afinadamente com meus amigos e comendo torradinhas com patê de alho; depois pão de alho kkkkk e um pavê maravilhoso feito pelo mozi. Além de, aprender a jogar vídeo game;
  • Eu e meu namorado/noivo resolvemos nos "guardar" ou "esperar" para transarmos só depois que casarmos;
  • Comecei a participar de um grupo de crescimento (célula) da igreja. 
  • Fui roubada; 
  • Voltei a dar aulas na Help;
  • Encontrei prazer no servir;
  • Engordei alguns quilos;
  • Juntei as finanças com o Mozi;
  • Li a Bíblia com mais frequência;
  • Assisti várias séries;
  • Assisti mais pregações;
  • Chorei por não saber ao certo o meu grande propósito... Trabalho. 
  • Orei pelo meu propósito;
  • Li mais. (Terminei livros, comprei outros e comecei outros...) 
  • Comecei a viver com um orçamento mega apertado;
  • Chorei por dívidas;
  • Pensei em me mudar;
  • Sonhei com casamento para esse ano e percebi que ainda era preciso muita preparação de nós mesmos para isso. 
  • Consegui um emprego e é uma benção;
  • Orei bastante;
  • Cultivei mais plantas;
  • Dei mais aulas particulares;
  • Voltei a projetar mais;
  • Escutei muitas coisas que mudaram meus posicionamentos; 
  • Fiz playlist maravilhosas;
  • Quebrei paradigmas;
  • Tive cabelo cor de ameixa, de amora e castanho;
  • Continuei com cabelo curto, para médio. 
  • Questionei muitos posicionamentos e "verdades"; 
  • Chorei por "política";
  • Me tornei mais empática;
  • Aprendi com Deus como amar o próximo e fiz, e sou. 
  • Me rebelei com a igreja; 
  • Parei de ir a igreja; 
  • Me aproximei de Deus;
  • Me aproximei de uma amiga da época de faculdade; 
  • Perdi todas as fotos de 2017 pra trás que não estavam em redes sociais; 
  • Prosperei;
  • Viajei; 
  • Escrevi mini contos (que estão aqui); 
  • Amigas engravidaram e tiveram bebês nesse ano, o contato me fez despertar novamente o lado materno e pensar em muitas responsabilidades, estabilidades.
  • Aprendi a fazer mandalas de lã; 
  • Corri de bicicleta na chuva;
  • Tive mais encontros com minhas amigas e seus namorados, aqueles que entrei o ano com eles; 
  • Me aproximei de pessoas que não imaginava e me afastei também de várias. 
A impressão que dar para quem olha meu ano é que ele foi mais tranquilo, por não verem de forma concreta os grandes feitos, mas eu sei, que houve tantas coisas que se passaram por aqui e que mudou ou reafirmou mais fundamentalmente as minhas relações...

2017 foi um ano de incomodo e exploração de si, a busca por me encontrar, por me conhecer mais, saber o que era bom e não era (para mim) e tomar decisões diante disso; um ano que me libertei de muitas amarras e fiquei tão solta que por pouco, não me perdi... 

2018, foi o firmamento das minhas escolhas do ano passado, um ano de amadurecimento diante delas; de questionar, de desmiuçar, de olhar para dentro e para o outro, aliás para os outros, não com receio de julgamentos para meus fazeres, mas de interesse neles, nas crenças nas "verdades" de quem me cerca.

Um ano de: empatias, justiça, o servir, as análises, o companheirismo, a compreensão, o tal de amor ao próximo, mas sem deixar de amar a si; filtros de quem ter por perto e bem longe. Trocas de energias... Foi. 


quinta-feira, 15 de novembro de 2018